QUEM É VOCÊ: DEMOCRATA OU TEOCRATA?

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duvidas Num momento de grandes tensões políticas em países pelo mundo. No exato momento em que no Brasil experimentamos algo significativo em nossas instituições democráticas, é interessante pensar um pouco sobre o que sejam essas tais “cracias”.

 O termo democracia surgiu na Antigüidade clássica, em Atenas, na Grécia, para designar a forma de governo que caracterizava a administração política dos interesses coletivos dos habitantes das cidades-estados. Na Idade Média, o termo caiu em desuso. Só reapareceria por volta do século 18, durante as revoluções burguesas que eclodiram no mundo ocidental.

A democracia surge com a idéia de fazer valer a “vontade do povo”.  Contudo, ela teve diferentes significados ao longo da história. Na Antiguidade clássica, o critério utilizado pelos gregos para definir um governo democrático foi a “fonte” ou “origem” da autoridade política.

Para os gregos “demos” significa povo e “kratos” significa poder. Na concepção idealista da democracia grega, o poder ou “vontade do povo” se manifestava nas assembléias públicas das cidades-estados. Era quando os cidadãos reuniam-se para tomar decisões políticas de interesse da comunidade.

As Democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado em um número de distinções. A distinção mais importante acontece entre democracia direta (algumas vezes chamada “democracia pura”), onde o povo expressa a sua vontade por voto direto em cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada “democracia indireta”), onde o povo expressa sua vontade através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.

Na Igreja Batista e de forma muito especial em nossas “Convenções” valorizamos e muito a idéia de que somos uma “igreja” e uma “denominação” com uma forma de governo democrática e congregacional. Ao declararmos tais conceitos e ao valorizarmos tal modelo, carecemos atentar para as implicações e responsabilidades que tal postura nos impõe.

Na democracia batista, o governo pela congregação, é forma certa somente na medida em que, orientada pelo Espírito Santo, providencia e exige a participação consciente de cada um dos membros nas deliberações do trabalho da igreja. Nem a maioria, nem a minoria, nem tampouco a unanimidade, reflete necessariamente a vontade divina. Lembre-se que uma Igreja batista é um corpo autônomo, sujeito unicamente a Cristo, sua cabeça. Seu governo democrático, no sentido próprio, reflete a igualdade e responsabilidade de todos os crentes, sob a autoridade de Cristo.

Sendo assim, o princípio governante para uma igreja local é a soberania de Jesus Cristo. A autonomia da igreja tem como fundamento o fato de que Cristo está sempre presente e é a cabeça da congregação do seu povo. A igreja, portanto, não pode sujeitar-se à autoridade de qualquer outra entidade religiosa. Sua autonomia, então, é valida somente quando exercida sob o domínio de Cristo.

Vejamos então o que não é um governo democrático congregacional estabelecido em uma igreja ou denominação batista.

Diferente do sentido estabelecido entre os gregos, onde “demos” significa povo e “kratos” significa poder, ou seja, “vontade do povo”, em uma democracia batista o que se procura é a vontade de Deus para o seu povo e não a vontade do povo.

Diferente também da idéia mais distorcida e ainda muito presente na tal “demo-cracia” ou se me permitir na “cracia do demo”. A igreja, nem tão pouco a denominação, não pode e não deve permitir que a manifestação do povo em suas assembléias represente uma “cracia do demo”, ou seja, lugar e autoridade que se dá ao Diabo para atropelar e atravancar a obra de Deus.  Em uma verdadeira democracia batista não se pode dar lugar ao Diabo. “Não deis lugar ao Diabo” (Efésios 4.27)

Nossa expectativa como batistas ou mesmo como denominação deve ser a busca por estabelecer a vontade de Deus na vida de seu povo. Para tanto a igreja deve lembrar-se que na sua relação com Deus, ou seja, em seu relacionamento direto com Deus, a igreja está sob um governo teocrático. Uma teocracia é o governo de Deus na vida do seu povo e também o governo de Deus através do seu povo. Dizemos que uma igreja é democrática, por ser um governo pelo povo. Mas, na prática, os membros da igreja não estão procurando estabelecer as suas próprias idéias, mas as práticas que com oração e estudo da Palavra de Deus crêem que são de Deus. Portanto é uma teocracia. Pelo voto comum (Mt 18.17; At 1.26; 6.5; 9.26-28; 10.47; 15.22; I Co 5.5; II Co 2.16) os membros são aceitos e os negócios da igreja são decididos. As instruções de Cristo à igreja para resolver o pecado público é um bom exemplo de uma teocracia (Mt 18.15-20).

A carta que rege nossa forma de governo é a Bíblia. Só a Bíblia, por ser a Palavra de Deus revelada ao homem, tem autoridade suficiente para guiar e conduzir esse homem na sua crença e em seu comportamento.

Justo Anderson argumenta que a autoridade da Bíblia, principalmente a do Novo Testamento, se relaciona com o Princípio do Senhorio de Jesus Cristo, porque “a autoridade do Novo Testamento se deriva do Senhor do Novo Testamento. Em outras palavras, a palavra escrita deriva sua vitalidade da palavra vivente”.
Por esse motivo nós, batistas, entendemos que nossas doutrinas e práticas devem estar subordinadas a Bíblia Sagrada e principalmente ao Novo Testamento.

Como se estabelece uma forma de governo assim? Como a Igreja Batista e a Denominação podem resgatar tão poderosa forma de governo? Somente através da renovação de nossas mentes, poderemos experimentar a boa agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.1-2). Carecemos então de definir o que seja “mente cristã”. Para um Cristão, uma mente cristã só pode ser uma mente que após sua regeneração, assimilou as pressuposições básicas da Escritura e está completamente informada da verdade bíblica.  Por conseguinte, é a mente que consegue pensar com integridade cristã sobre os problemas do mundo contemporâneo. Paulo escreve não apenas sobre uma “mente renovada”, mas também sobre “a mente de Cristo”.  Ele exorta os filipenses:  “Tende em vós o mesmo sentimento (ou a mesma mente)  que houve também em Cristo Jesus.” (Fp 2:5).  Isto é:  à proporção que estudamos os ensinamentos e o exemplo de Jesus e submetemos a mente conscientemente ao domínio de sua autoridade (Mt 11:29), começamos a pensar como Ele.  A mente de Cristo é gradativamente formada dentro de nós pelo Espírito Santo, que é o Espírito de Cristo.  Passamos a ver as coisas através da sua perspectiva, e nossa visão se faz semelhante à dele.  Nosso alvo deve ser o de poder dizer:  “temos a mente de Cristo” (1 Co 2:16).

Como servo de Cristo e membro de uma Igreja Batista, agradeço a Jesus Cristo, que nos deu uma mente com que pensar.  Fez-nos criaturas inteligentes e racionais. Nos deu a Bíblia que testifica dEle, a fim de orientar e controlar nossa forma de pensar.  À medida que absorvemos seus ensinos nossos pensamentos vão pouco a pouco se conformando aos dEle. Nos deu o Espírito Santo, o Espírito da verdade, que nos abre as Escrituras e nos ilumina a mente, a fim de compreendê-las e aplicá-las.

É assim que eu consigo ver nossas igrejas crescendo, o trabalho de Deus avançando e cada dia mais o Senhor exercendo o SEU GOVERNO em nossas vidas, em nossas igrejas e de forma muito especial em nossa DENOMINAÇÃO.

Deixemos DEUS governar o que é DELE.

 

Pr. Carlos Elias de Souza Santos

Presidente da Convenção Batista Carioca.