O golpe

Na hora do golpe duro (que pode ser o diagnóstico de uma doença dilaceradora, a pesada partida de uma pessoa com quem dividíamos os pesos da jornada e fruíamos os frutos do amor, uma dolorosa decepção envolvida em atônita amargura, um assalto que nos fez feridas fundas), só conseguimos olhar para baixo e ver apenas o chão duro, o chão frio, o chão sujo, o chão ensanguentado, a nos dar boas-vindas, como se fosse a nossa casa definitiva.

Antes da queda anunciada, ainda nos perguntamos como será a nossa vida daqui para a frente. Na verdade, não imaginamos que possa haver vida daqui para a frente.

Então, confirmamos, com gosto de enxofre na boca, que somos mesmos vasos de barro, que o vento mais forte torce, a pressão mais tensa afunda, o aguaceiro mais denso fura, o sol mais quente esmigalha.

Nessa hora, o golpe já desferido, também precisamos confirmar que dentro deste (nosso) vaso de barro está escondido um belo e indestrutível tesouro.

Feitos à imagem-semelhança de Deus, somos habitados pelo Espírito dele, que monta guarda em nossos corações como um leão afiado.

Por isto, podemos ser pressionados, mas não precisamos ficar desanimados; podemos nos sentir perplexos, mas sem nos desesperar; podemos ser perseguidos, mas não somos vencidos; podemos ficar abatidos, mas jamais destruídos (2 Coríntios 4.7-9).

Mesmo que sejamos esmigalhados pelo medo, pela solidão, pela mágoa e pela dor, a estrutura do tesouro dentro de nós permanece inabalável.

A certeza nos deve servir de desafio (devemos crer no que somos pelo poder de Deus que atua em nós, não no que as ameaças dizem que somos) e de promessa (devemos esperar que a graça de Deus seguirá o plano-mestre que já aprovou para nós).

Fonte: Prazer da Palavra