Em Chapecó não haverá Natal. Todas as festas foram canceladas. A cidade chora a morte de seus heróis.

Anos atrás aqui na igreja organizamos uma festa de Natal com pessoas que moravam nas ruas. Numa roda perguntei qual o significado do Natal para cada um deles. Foi um choro só. Nesta data reunimos nossas famílias. Celebramos o encontro, as vitórias, a vinda do Messias que traz a paz e a salvação. Para quem mora na rua e não pode reunir a família, o Natal significa a lembrança do desencontro. Choro.

Tanto choro capaz até de matar a esperança. Fui, então, procurar na Bíblia histórias de quem chorava.

Jesus chorou quando anteviu a destruição de Jerusalém (Lucas 19:41). Em seguida começou a fazer uma faxina no templo, colocando pra correr os mercadores da fé.

Ana chorou porque não tinha um filho (I Samuel 1). Orou insistentemente a Deus, que atendeu seu pedido.

Neemias chorou quando ouviu sobre a destruição de Jerusalém (Neemias 1:4). Em seguida, reconstruiu o muro.

Mardoqueu chorou com a notícia de que o povo de Israel tinha data e hora para ser destruído (Ester 4:1). Em seguida insistiu com a Rainha até conseguir um jeito do povo se defender.

Após o choro precisamos agir.

Paulo nos lembra que “os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança.” (Romanos 5: 3-4)

O salmista também nos diz que “aqueles que saíram chorando, levando a semente para semear, voltarão cantando, cheios de alegria, trazendo nos braços os feixes da colheita.” (Salmos 126:6)

O sábio Salomão nos ensina que “é melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer.” E que “a tristeza torna o coração compreensivo.” (Eclesiastes 7:2‭-‬3) E como precisamos ser compreensivos nos dias atuais!

Depois do lamento dos que passam o Natal nas ruas longe de suas famílias, nos alegramos numa Ceia feita pelas próprios sem-teto. A mesa foi organizada por eles. Pães, bolos, frutas e biscoitos foram trazidos por quem mora nas ruas. E terminamos com uma brincadeira de Amigo Oculto de Abraços. Quem estava presente sorteou um nome, falou um pouco sobre o amigo agora revelado e lhe deu um abraço. Comida e abraço. Combinação perfeita para o encontro. É a partir do encontro que podemos reunir forças para construir depois do choro.

Chapecó ainda chora, mas tamanha solidariedade os fará mais fortes.

Chorando com os que choram, abracemo-nos e levantemo-nos todos com esperança.

Marcelo Jaccoud da Costa

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