O Binômio da Glória.

esperana

esperana “… e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Não só isso, mas também
nos gloriamos nas tribulações,…” (Rm 5.2b-3a NVI)

A dor é real. O mal é presente. O sofrimento é humano. Porém há glória em tudo isso. Há uma perspectiva que cicatriza as feridas. Há um olhar que aquece o corpo gelado, que enxuga as lágrimas, que traz paz ao coração.

A isto eu chamaria de binômio da glória – tribulação e esperança. Paulo
afirma que há glória nas duas experiências. A primeira produz a segunda. A
segunda só se conhece depois de se passar pela primeira. A primeira nos
lembra que somos carne e osso. A segunda nos lembra que fomos feitos para a
eternidade. Assim sendo, não se excluem. Ao contrário, se completam e se
fundem para formar e lapidar joias que pertencem à eternidade.

Gloriar-se na tribulação? Parece algo distante e irreal…

Henri Nouwen afirma que “a vida espiritual só pode ser real quando é vivida
em meio aos sofrimentos e às alegrias do aqui e agora”. Há, portanto, uma
perspectiva espiritual, com a mente de Cristo, que nos capacita a enxergar e
ir além.

A verdade é que palavras eloquentes não conseguem nos conduzir em meio ao
sofrimento. Precisamos de algo mais. Por isso, Paulo fala que a tribulação
(sofrimento) produz experiência. Passamos da teoria para a comprovação de
campo. Deixamos as cadeiras da sala de aula para encarar a vida. Vemos a fé
começar a agir. Seja em nós por meio dos outros, ou nos outros por meio de
nós.

A dor tem o poder de despertar a solidariedade e a generosidade. Faz parte
do processo tornarmo-nos sensíveis. E faz sentido: se no sofrimento pensamos
só em nós mesmos, as perspectivas desaparecem. Ao contrário, se olhamos para
nossos semelhantes, o horizonte se amplia. Descobrimos que não estamos sós.
Isto é experiência!

Em meio à dor, nasce a esperança. Ela desvenda um futuro. Ela revela as
possibilidades. Ela não é causa. É efeito. É fruto da nossa persistência.
Trata-se da teimosia virtuosa. É Deus presente enquanto sofremos tomando-nos
pela mão, moldando o caráter, aperfeiçoando a visão, preparando-nos para a
plenitude.

Ter esperança é confiar que Deus é mais forte que a vida e a morte. É
descansar de que ele já venceu!

O choro pode durar uma noite. O céu pode estar nublado. O mar pode estar
revolto. Os açoites podem ser incontáveis. As feridas, profundas. Mas Deus
está no controle!

Na outra extremidade da dor está a esperança que não decepciona (Rm 5.5).
Deus é a fiança da nossa alegria.

Dor é sofrimento, mas é também esperança. Um binômio difícil de
conciliar-se. Pouco lógico. Às vezes, distante. Mas possível e real.

Há uma glória nisto – a glória do Pai!

“Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para
sempre! Amém.” (Rm 8.36)

Pr. João Reynaldo Purin Júnior

Igreja Batista do Méier.