Desde a invenção da imprensa por Gutemberg em 1434, a Bíblia tem se popularizado cada vez mais, chegando aos recantos mais escondidos da terra. Mas apesar da sua popularidade, não são poucos os que se sentem desorientados neste emaranhado de livros, personagens e acontecimentos diferentes. Uma das primeiras coisas que o leitor da Bíblia precisa ter consciência é o imenso abismo cultural existente entre o ele, que está no século XXI, e os redatores do texto bíblico, que viveram, no mínimo, há cerca de 2000 anos! Texto e leitor são dois protagonistas que se defrontam no ato da leitura.

De um lado temos diversos livros, escritos originalmente em idiomas desconhecidos (hebraico, grego e aramaico), em gêneros literários diversos (narrativas, parábolas, poesia, epístolas etc.) e em contextos socioculturais completamente diferentes dos de hoje (relações familiares, valores, vestuário, costumes etc.). Do outro lado está o leitor, ansioso por encontrar no Livro Sagrado respostas para questões que o inquietam no seu dia-a- dia. Mas esse leitor, que com certa razão não está preocupado com todos esses detalhes, acaba sucumbindo diante das primeiras dificuldades encontradas ao se debruçar sobre o texto.

Um passo importante que o leitor da Bíblia precisa dar para compreender melhor a Escritura Sagrada é se informar a respeito da origem do material utilizado como fonte para as traduções das Bíblias modernas. Dessa reflexão podem surgir as seguintes perguntas: Há manuscritos originais escritos de próprio punho por Isaías, Oséias, Paulo ou João? Se não, de que material dispomos, onde se encontram e quando foram escritos? Todos os manuscritos de um mesmo livro são iguais ou apresentam divergências? Se há divergências, qual deles se aproxima mais dos originais? Por último: quem definiu quais livros são inspirados e que critério utilizou?

Sim, tais perguntas são um tanto quanto espinhosas. Em certos períodos da história do cristianismo tais indagações teriam como revide uma resposta mais ou menos assim: “o inferno foi feito para alunos curiosos como você!”. Bastante ameaçador, não acha? Mas nesta e nas demais colunas que serão publicadas aqui, procurarei abordar a complexa e instigante história da Bíblia com a maior clareza e honestidade possível. No próximo mês veremos como e quando os primeiros manuscritos bíblicos foram produzidos e como chegaram até nós. Que Deus te abençoe e até lá!

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