A CEIA COMO OPORTUNIDADE

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ceia “Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”. (Lucas 17.9-10)

Jesus propõe uma ilustração muito estranha; estranha, se imaginarmos que o senhor a que  se refere é o Senhor de nossas vidas. Esta ilustração soa também estranha para uma celebração da Ceia do Senhor, porque ela fala de outro tipo de ceia, aquela comum do dia a dia, não aquela em memória do Salvador.

No entanto, esta estranha ilustração fala de uma situação real: de senhores que governam despoticamente e de escravos que têm que servir nos afazeres do campo e nos cuidados da casa. Os servos desta história, como acontece em todos os tempos, tinham que esperar a sua hora de comer e sua hora de descansar. Esta estranha comparação é um retrato da vida, retrato que Jesus não sacraliza, mas mostra como é.

Ao mesmo tempo, este estranho enunciado nos ajuda a compreender a atitude que nos deve presidir quando participamos da Ceia do Senhor. Nós somos servos, diz o Senhor. Como servos, temos um papel e um lugar. Como servos, nosso dever é obedecer ao nosso Senhor.

Participar da ceia é lembrar a inutilidade de nossa utilidade. O texto revela bem a natureza do serviço cristão, ao perguntar: Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? (v. 9) e também ao recomendar o conteúdo da fala dos que atuam no Reino: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer. (v. 10)

Se é duro nos acharmos servos, mais duro ainda é sermos considerados servos inúteis. É assim que deve proceder o servo, porque o arrogante pensa bem diferente: “como Deus deve estar satisfeito por ter um servo como eu”.

O servo não pode se orgulhar de suas realizações. Antes, deve ter em mente que tudo o que faz, ele o faz para Deus. Nosso erro, por vezes, consiste em imaginar que aquilo que fazemos para Deus nós o fazemos para o outro ou para a Igreja. Nós nunca fazemos nada para o outro (que é capaz de reconhecer nosso esforço) ou para a Igreja (que é capaz de aplaudir nossos feitos), pois o que fazemos nós o fazemos para Deus, que nos recompensa, não em função de nossos méritos, mas pela regra da graça.
Afinal, como ensina o apóstolo Paulo: “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus”. (2Co 4.5).

A mesa está posta, mas foi Jesus quem a providenciou. Diferentemente do senhor injusto da ilustração, Jesus mandou servir a Ceia para que dela nós, os servos, pudéssemos participar.

Como temos feito aquilo que Deus nos pôs para fazer? Temos nos comportado como servos ou como senhores?
Ao participarmos da Ceia, lembremos que temos um Senhor a Quem radiantemente servimos. O nosso Salvador – ah que bom termos um Salvador! — é também o nosso Senhor e isso nos dá a perspectiva correta para a vida.

Ao participarmos da Ceia do Senhor, sintamo-nos desafiados ao exercício da igualdade e da amizade. Descubramos ou redescubramos o prazer em estar uns com os outros.

Ao participarmos da Ceia memorial da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo, sintamo-nos responsáveis pela lavoura de Deus e nos comprometamos a torná-la maior e mais saudável. Ao participarmos da Ceia do Senhor, coloquemos nossas vidas ao seu serviço, motivados tão somente pelo interesse em alcançar a Sua misericórdia.

Pr. Israel Belo de Azevedo

Igreja Batista Itacuruçá.