A Arte de Deixar Legados

A injustiça não desapareceu do mundo em que vivemos.

No entanto, vão morrendo os que fazem da luta contra ela a razão de suas vidas.

Podem pensar alguns que o mundo mudou para melhor, com menos desigualdade, menos discriminação, mais oportunidades, mais felicidade, de tal modo que não carece mais de tantos idealistas para torná-lo melhor.

Podem pensar outros que a injustiça venceu de tal modo que o melhor que cada um deve fazer é cuidar de seus interesses.

Não importam as explicações. O fato é que parecem escassos em nossos dias os promotores da paz, dispostos a pagar o preço de sua causa, como fizeram, entre outros, Nelson Mandela (1918-2013), que enfrentou o apartheid na África do Sul;  Madre Tereza de Calcultá (1910-1997), que cuidou de pobres e miseráveis na Índia; Chico Mendes (1944-1988), que desafiou os poderosos antiamazônia; Martin Luther King Jr (1929-1968), que derrotou sem violência a violência da segregação racial norte-americana; José Luciano Lopes (agradeço a quem tiver as datas e me mandá-las), que propôs a educação como o caminho mais curto para a justiça; Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), que enfrentou Adolf Hitler, que o enforcaria; Albert Schweitzer (1875-1965), que cuidou dos doentes esquecidos de Lambaréné (na África), renunciando a carreira de músico; Mohandas Gandhi (1869-1948), que fez recuar o poderoso império britânico na Índia; William Wilberforce (1759-1833), que denunciou os escravocratos ingleses; e Bartolomé de Las Casas (1484-1566), que lutou contra a escravidão de negros na Guatemala.

Destes, alguns morreram por desejarem a justiça. Seus ideais venceram. Suas vidas valeram a pena.

O que precisamos hoje é de pessoas que queiram viver vidas que valham a pena, que são vidas que não se contentam em comer, vestir, beber ou se divertir. Não há legado nestas banalidades.

O que mais precisamos é de vidas que deixam legados.

Fonte: Prazer da Palavra