Quem quer escavar?

Quando se viaja por países como Egito, Jordânia e Israel, fica-se sabendo que, sob o solo pisado, há outros níveis mais baixos, que podem esconder cidades inteiras.

Os guias egípcios afirmam que seu país é um imenso sítio arqueológico. Os guias jordanianos e israelenses dizem a mesma coisa, autorizados por seus arqueólogos.

As descobertas que vão se sucedendo dizem que eles têm razão.

As advertências dos arqueólogos e guias são metáforas sobre a vida.

Um turista por estas terras pode se contentar em tirar fotografias. Pior: pode pensar que está num parque de diversões. Melhor: pode se encantar com a riqueza do que vê na superfície e voltar para casa achando que conhece a história do lugar.

Um turista pode aprender com os arqueólogos: há um nivel mais profundo que se alcança quando se escava.

Viver é escavar dentro da gente mesma para experimentar níveis mais profundos, bem abaixo das frases feitas, das soluções impostas, das palavras da moda e da moda das roupas, dos calçados e dos gostos.

Fonte: Prazer da Palavra